31/03/2012 | N° 11335
TRÂNSITO
Pedalar é difícil, mas possível
Ignorando dificuldades, ciclistas aderem à bicicleta como meio de transporte no dia a dia
Caxias do Sul – Uma alternativa de transporte não poluente, silenciosa, barata e que ocupa menos espaço no trânsito esbarra em empecilhos naturais e culturais na cidade. Porém, não há relevo acidentado, clima com temperaturas extremas ou trânsito nervoso que impeça algumas pessoas de colocar a bicicleta nas ruas de Caxias do Sul. Um levantamento da Associação Caxiense de Ciclismo (Acaci) de 2011 aponta que há uma bicicleta para cada quatro habitantes. Mas, do contingente de quase 100 mil delas, apenas 20 mil são colocadas em uso frequentemente.
Há um ano e meio, o administrador de empresas Leonardo Nobre Parada, 37 anos, que já pedalava em trilhas nos fins de semana, decidiu tirar a bike de casa também em dias úteis. Pelo menos um dia, normalmente dedicado a tarefas internas no escritório que dispensam uso de terno, Parada percorre de bicicleta o trajeto de cinco quilômetros entre a casa, no bairro São Leopoldo, e o trabalho, no Sanvitto. O percurso leva, em média, 12 minutos, tempo muito semelhante ao de carro. Ele encara morros, engarrafamento e frio, mas, se pudesse, utilizaria a bicicleta mais vezes por semana. Parada é um ciclista exemplar: usa equipamentos de segurança, respeita a sinalização de trânsito, acena com os braços para sinalizar conversões.
– Raras vezes tive problemas com motoristas. Às vezes, alguns xingam, mas é preciso dar a cara para bater – defende.
O Código Nacional de Trânsito determina que os motoristas respeitem a distância mínima de 1,50 metro do ciclistas, que não devem utilizar a calçada para pedalar. A infração do motorista é considerada média, com multa de R$ 85,13 e quatro pontos na carteira. Não há índices de autuações desse tipo na Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade e, além disso, Caxias não conta com sinalização específica para bicicletas.
O diretor da secretaria, Carlos Roberto Noll, que é ciclista há pelo menos 40 anos, afirma que o desrespeito a ciclistas é difícil de ser visto pela fiscalização. Por segurança jurídica, as multas apenas podem ser emitidas pelos fiscais que flagrarem a infração. Por isso, anotar placas e denunciar motoristas infratores não têm resultado para fins de autuação.
– O que a gente precisa é de educação para todos que compõem o trânsito – acredita Noll.
No relacionamento conturbado nas ruas, o vice-presidente da Acaci, Ivan Zeni dos Santos, encontra uma justificativa para a diferença expressiva entre o número de bicicletas e as realmente ativas.
– O poder aquisitivo leva as pessoas a comprarem a bicicleta, mas toda a vez que a pessoa sai na rua e percebe que está arriscando a vida, acaba desistindo. Muita bicicleta e pouco uso são resultado, principalmente, da falta de cultura da bicicleta, de respeito mútuo entre motoristas e ciclistas. Quando tivermos um trânsito mais civilizado, uma adesão maior será normal – defende.
ESPECIAL PARA O PIONEIRO CAMILA BOFF

Excelente! Leonardo Nobre Parada melhor não podia ter sido a matéria. Meus parabéns Guerreiro Espaço Fitness
ResponderExcluir